Somos filhos da Renovação Carismática Católica, portanto trazemos em nós a espiritualidade carismática, buscando viver em nossos dias o grande propósito de levar a graça da efusão do Espírito Santo para toda a Igreja e para todo o mundo. Essa é uma arma capaz de mudar corações, consciências e até mesmo mudar o mundo. A Igreja é depositária da graça do Espírito Santo desde o tempo dos apóstolos. O tempo que estamos vivendo é um tempo de Deus. Ele já derramou a efusão do Espírito Santo sobre a face da terra, onde surgiu a Renovação Carismática e outras expressões de espiritualidade.

Agora é tempo reinflamar, de reavivar a plenitude do Espírito Santo, a plenitude da graça ativa, que age, que liberta os filhos de Deus do mal, que afugenta o inimigo de Deus e suas ações malignas.

Falar do Batismo no Espírito Santo faz com que seja inevitável falar da Rainha de Pentecostes, da Esposa do Divino Espírito, mas utilizando das palavras de Santa Terezinha do Menino Jesus, é inevitável não falar da nossa Mãezinha.

A Mãe de Deus inspira-nos como ser, viver, e como fazer. Queremos encarnar suas virtudes. Maria deixa-se conduzir pela ação divina. Ela é nossa Mestra, nosso Modelo, nossa Mãe. Descobrimos que para sermos portadores de Deus, precisamos esvaziar-nos de nós mesmos, de nossos planos, sonhos, ideais e projetos de vida, para assim como Maria realizarmos a vontade de Deus; esvaziar-nos do mundo, para encher-nos de Deus, e permanecer cheios. Eis o mistério do nosso carisma, temos que sair do eu, para ser Dele, viver Nele, sendo um em Cristo.

 

    Como modelo, Maria, que nos diz: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Mulher despojada de valores, sentimentos, opiniões, serva. Nela nada prevaleceu de si mesma, mas buscou fazer a vontade do Senhor, servindo-o e estando à sua disposição. Sua única vontade é estar Nele, com Ele e tudo por Ele. Mulher que conheceu, viveu e encarnou a Palavra.

Nossa espiritualidade nasce e se revigora também diante de Jesus Eucarístico. Somos chamados a ser um povo adorador, um povo que reconhece Jesus na Santa Eucaristia como a fonte inesgotável de graças.

 

Que o Senhor seja adorado pela Comunidade como uma fonte, manancial onde gera vida nova, cura, transforma e ressuscita, esta é a nossa missão.  A “Eucaristia é a fonte e o ápice da vida da Igreja” (LG 11); adorar Jesus Eucarístico é colocar-se em sua presença numa atitude de louvor, gratidão, reconhecimento, confiança, esperança, abandono total com o coração profundamente humilhado, contrito e necessitado do seu amor. “Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que seu nome é santo” (CIC 2097b). Diante do Santíssimo Sacramento deve existir em nossos corações o fascínio por tão sublime mistério! Adorar Jesus Eucarístico é também deixar-se amar por Ele que se derrama de amor por nós, e por todos.

A adoração a Jesus Eucarístico não termina ao sairmos da capela. Os efeitos produzidos por ela perdurarão no nosso cotidiano, pois somos transformados; Ele se entrega e nós o recebemos. Adorar é ter uma vida modificada pela sua presença. Estar diante de Deus nos transfigura e, por isso, somos chamados a refletir esse rosto transfigurado para a humanidade. Como disse São João Paulo II: “Nos tornamos aquilo que contemplamos”. Tendo-O contemplado, sejamos semelhantes a Ele, como hóstia viva. Não para sermos adorados, mas para sermos partidos e repartidos em favor da humanidade a exemplo de Santo Inácio de Antioquia que abraçou o martírio ao dizer: “Sou trigo de Deus, e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo”; e assim levando em nós o Cristo, eu Nele e Ele em mim, sermos um com Ele (cf Jo 15, 1).

Nossa espiritualidade se revigora na força da oração. Sem este ato de amor não somos nada e com certeza a consequência de uma vida ausente de oração será o pecado. Santo Agostinho diz que quem reza para de pecar e quem peca para de rezar, portanto um Portador de Deus nunca abandona esta arma tão poderosa para o combate.

(Diretório da Comunidade Theófora)

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